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sábado, 7 de junho de 2008

Radiola 4 - Dia dos namorados

Pobre Gabriela. Se existe alguém que não é nada romântico, este sou eu. Quando se fala em dia dos namorados, por exemplo, me vem à cabeça a comemoração piegas, forçada, quase artificial. Não tem nada a ver comigo. Não sou de mandar flores, fazer supresas ou esconder bilhetinhos açucarados. Não apareço em casa com caixa de bombons, não fico fazendo declarações. Quando muito, me esforço para lembrar do aniversário de casamento e tento caprichar no presente.

Da mesma forma, não sou muito chegado aos compositores do Romantismo. Brahms, um pouco de Mahler, os concertos para violino da época, se, e somente se, tocados por intérpretes competentes. Talvez os quartetos para cordas de Schubert. É o que costumo ouvir daquele período. E olhe lá. Não desmereço os românticos com sua grande contribuição para a história da música de concerto. Apenas não gosto. Sou um cara mais Charles Ives, Hindemith, Janacék, Shostakovitch...Se é para relacionar música e amor, ouçamos então os impressionistas. E vivam Fauré, Debussy, Ravel e cia.! Ponto para os barrocos, que, pelo jeito, não eram tão preocupados com as coisas do coração.

Em se tratando de amor, prefiro expressar-me de forma mais sutil, inteligente e útil. Ficar com as crianças para ela poder sair com as amigas é prova de amor. Um cinema no meio da semana, uma receita especial, um cd bacana também. Por acaso comprei outro dia o ótimo "Songs for Distingué Lovers". Para quem gosta de comemoração, este se presta bem à trilha sonora do próximo dia 12. Por que é um CD legal? Primeiro, porque é Billie Holliday. Segundo, porque o repertório são "standards" muito bem escolhidos. Irmãos Gershwin, Porter...Por último, Billie está acompanhada por um time de primeira que toca arranjos muito bonitos e bem acabados. Se você quiser conquistar, é trilha sonora elegante e de bom gosto.

Taí minha contribuição para os leitores apaixonados. E chega. Que já estou com coceira de falar tanto sobre amor...

Songs for Distingué Lovers - Billie Hiliday
Maioria das faixas gravadas nos estúdios da Verve em janeiro de 1957
Verve Records
Foto da capa: Burt Goldblatt

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Radiola 3 - Asturiana (para o inverno...)



A corda Dó. Grave e potente. Em minha opinião, é o que faz a grande diferença e confere à viola o timbre sorumbático e profundo que só ela possui. Kim Kashlashian sempre soube explorar com muita competência o grande potencial sonoro deste instrumento. É uma de minhas violistas preferidas e não decepciona neste “Asturiana”, onde toca acompanhada por Robert Levin. O pianista, que eu ainda não conhecia, foi uma grata surpresa. Existe uma grande diferença entre um acompanhador e um camerista. Levin faz parte do último grupo.

“Asturiana” é um CD com transcrições para viola e piano de canções espanholas e argentinas compostas por De Falla, Granados, Guastavino, Ginastera, Montsalvatge e Lopez Buchardo. Quero destacar a primeira faixa, que apesar de composta pelo espanhol De Falla, tem um gosto de Kódaly e Bartok que me emocionou. Música de Câmara pura, com uma pitada de melancolia. Trilha sonora perfeita para os dias nublados de inverno que estão por chegar.



Kim Kashkashian Robert Levin
Asturiana – Songs from Spain and Argentina
ECM Records GmbH
Gravado em agosto de 2006 no Radio Studio DRS de Zürich
Fotos: J.L. Godard e Julien Jourdes

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Radiola 2 - Sonatas e Partitas para Violino solo de J. S. Bach


Na minha opinião, as Sonatas e Partitas são a obra definitiva para violino solo (Os 24 caprichos de Paganini? Ah...apenas pirotecnia...). Com elas, Bach avançou pelo menos 2 séculos na história da escrita para violino. Polifonia pura. Grande dificuldade técnica; complexidade musical ainda maior. Foram compostas (ou pelo menos concluídas) na época em que Bach servia ao Príncipe Leopold de Cöthen. Mesmo período dos seis concertos de Brandenburgo, das seis Suítes para Violoncelo solo e outras obras primas.

Existem vários registros importantes, como por exemplo o de Natan Milstein (1973), celébre pela maturidade interpretativa. Eu gosto desta versão de Itzhak Perlman. Apesar de considerá-la levemente "romântica". Perlman é Perlman, com sua sonoridade e clareza inconfundíveis.

Porém o mais interessante nesta gravação é que Perlman utilizou 2 violinos raríssimos: Nas Sonatas em Dó maior e Lá menor o Antonio Stradivari 'Soil' de 1714. Nas demais Sonatas e Partitas o Guarneri del Gesù 'Ex Sauret' de cerca de 1740. De forma que, para o ouvido interessado, é possível comparar as diferenças de sonoridade entre os violinos destes 2 maestros-lutaios italianos, tocados por um mesmo intérprete, em peças de uma mesma fase de um mesmo compositor. Oportunidade rara. Raríssima.
J.S. Bach - Sonatas and Partitas for Violin Solo
Itzhak Perlman - Violin
Gravado entre 1986 e1987 - Concordia College - Bronxville, New York
EMI

sábado, 19 de janeiro de 2008

Radiola


Aqui vai o primeiro post sobre uma das minhas maiores paixões: música clássica. Encontrei esta semana este CD fantástico com os 2 concertos de piano de Brahms por Nelson Freire (dispensa comentários) e a Gewandhaus de Leipzig com Riccardo Chailly. Muita gente diz que as madeiras das orquestras alemães são insuperáveis. Concordo. Mas, gostei especialmente dos metais nesta gravação. Equilibrados, sem exageros mas conferindo ao conjunto a dramaticidade necessária. E o melhor: a gravação é ao vivo. O que sempre prefiro nestes tempos de alta tecnologia.

Nelson Freire está lá com todo o vigor. Resolve bem as dificuldades técnicas do concerto, dando fluência e fraseado que muitos pianistas não conseguem. Uma interpretação que se impõe. Com elegância.

Chailly, correto e experiente como sempre, deixa a obra fluir livre e não tolhe a interpretação de Freire.

Quanto às obras, são dois marcos do Romantismo. E Brahms inovou em vários aspectos nestes dois concertos. A ponto de receberem uma recepção bastante fria do público e da crítica à época de suas respectivas estréias. Tecnicamente são extremamente difíceis e, na minha opinião, nem todos conseguem tocá-los com arte.

Pessoalmente, sempre gostei mais do primeiro concerto (apesar do segundo ser o mais "popular"). Em especial, da longa introdução do primeiro movimento (Maestoso), que é quase uma Sinfonia, e de todo o folclore que cerca o segundo movimento (Adagio). É que nesta época Brahms estava perdidamente apaixonado por Clara, esposa de seu grande mentor e incentivador, Robert Schumann. Brahms mais tarde confessou que o segundo movimento do Concerto em Ré Menor op.15 era uma "pintura apaixonada" de Clara...Mais romântico impossível!

Brahms - The Piano Concertos
Nelson Freire - Gewandhausorchester - Riccardo Chailly
Decca
Gravado ao vivo em Novembro de 2005 e Fevereiro de 2006