sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Beef Curry de meia tigela

Só ontem consegui ler a edição do dia 13 do Paladar (Estadão). Com uma semana de atraso. Uma boa matéria sobre curries explicava que a versão em pó é invenção inglesa e foi criada por aqueles que voltaram da Índia com saudades da comida de lá.

Parece sacrilégio culinário, mas acho mesmo que os melhores restaurantes indianos estão na Inglaterra. O meu preferido é o "Bombay Brasserie" de Londres. Descobri-o por acaso, num dia em que resolvi pegar o metrô em Heathrow e descer em Gloucester Road para almoçar, perambular por South Kensingnton e matar 7 horas de conexão entre um vôo e outro. Vi a fachada relativamente modesta e entrei sem muita pretensão. Encontrei um ambiente bastante suntuoso, com serviço simpático e comida de execução bastante caprichada. Muito bons os pães: Naan e Poppadum fresquíssimos que vêm acompanhados de vários tipos de chutney. Voltei outras vezes e sempre que passo por lá peço algum prato "tandoori" style, que é uma das especialidades da casa.

Saudades do "Bombay Brasserie" e a reportagem do Estadão aguçaram minha vontade de algo bem apimentado. A intenção era fazer uma das receitas sugeridas pelo Paladar, mas a preguiça do feriado foi mais forte. Dei um pulo no supermercado mais próximo, comprei meia dúzia de coisas, e fiz este Beef Curry acompanhado de arroz basmati. Fajuto, porém rápido e prático.



Beef Curry de Meia Tigela

Ingredientes:

- 1 cebola grande cortada em cubos.
- 1 bom punhado de ervilhas-tortas.
- 1 colher de sopa de manteiga.
- 300g de filé mignon em cubos pequenos.
- 1/2 colher de sobremesa de Curry em pó (pode colocar mais se preferir um sabor mais forte).
- Sal a gosto.
- 2 colheres de sopa de iogurte integral.
- Pimenta vermelha picada, a gosto, se você estiver utilizando Curry em pó nacional e gostar de comida apimentada.

Modo de preparo:

1. Aqueça bem uma panela e coloque a manteiga. Quando a manteiga começar a "escurecer", acrescente os cubos de filé mignon. Espere até que estejam dourados e acrescente o sal e a cebola. Mexa bem.
2. Quando a cebola começar a ficar transparente (porém ainda firme), acrescente o Curry em pó e a pimenta vermelha (se for o caso). Mexa bem.
3. Acrescente as ervilhas tortas, misture e aguarde cerca de 1 a 2 minutos (as ervilhas devem ficar firmes e crocantes, apenas levemente cozidas).
4. Apague o fogo, acrescente o iogurte, misture e acerte o sal.
5. Sirva com arroz basmati.

sábado, 8 de novembro de 2008

Salsicha

Amuse Bouche, em tradução livre para o Português, para mim que dizer petisco.

E Petisco é o nome do mais novo membro da família: um dachshund pelo longo (salsichinha) prá lá de bacana e charmoso.
A foto está tremida porque a figura, que completou 3 meses no último dia 1, não para um minuto!

Ao chegar...


Toda vez que chego de viagem é assim: vontade de comer comida simples, caseira, sem afetação. Já contei sobre isto aqui.

Desta vez não foi diferente. Após foiegras, queijos e patos, eu queria mesmo era arroz. E feijão também. Fiz este risotto com que havia na despensa. Ficou melhor do que eu esperava. Acho que foi a saudade de casa.

Risotto de Arroz (permitam-me o pleonasmo) com Feijão

Ingredientes:

- 1/2 cebola picada.
- 4 dentes de alho picados.
- 200g de arroz arbóreo.
- Azeite de oliva extra virgem, o quanto baste.
- 200ml de vinho branco.
- Caldo de carne, o quanto baste (mais ou menos uns 600ml).
- 1 folha de louro.
- 150g de tomates-cereja cortados ao meio.
- 170g de feijão rajado cozido(macio, porém firme) e escorrido.
- Alecrim fresco picado, a gosto.
- Pimenta do reino, a gosto.

Modo de Preparo:
1. Numa panela, refogue a cebola e o alho no azeite, até que estejam transparentes, mas sem queimar.
2. Acrescente o arroz arbóreo e a folha de louro mexendo bem até que todos os grãos estejam bem envolvidos pelo azeite.
3. Acrescente o vinho branco, mexendo sempre, até que evapore.
4. Acrescente o caldo de carne quente, pouco a pouco, até que o arroz esteja no ponto (al dente).
5. Acrescente o feijão e mexa por mais 1 minuto e acerte o sal, se necessário.
6. Apague o fogo e junte o tomate e o alecrim. Mexa bem.
7. Sirva com um fio de azeite e pimenta do reino a gosto.

sábado, 1 de novembro de 2008

Na mesa

Papo com o Lucas, 3 anos e meio, durante o almoço deste domingo (Imagine a cena):


Lucas: Pai, você almoçou muita coisa boa lá em Paris?
Eu: almoçar mesmo, filho, não deu muito tempo. Mas eu jantei nuns lugares legais.
Lucas: e o que você comeu?
Eu: Ah, muita coisa gostosa - ostra, pato, coelho...

cinco segundos de silêncio

Lucas, meio resignado: eu nuuunca vou comer coelho...
Eu: Por que, filho? É gostoso!
Lucas: Porque senão, quem vai dar ovo de chocolate prá mim ?!?

Abóboras

Cá estou eu de volta ao Brasil (pelo menos por 1o dias...triste a constatação de que este ano fiquei mais lá do que cá). Chego e me deparo com o condomínio todo enfeitado de "Jack o'Lanterns" e morcegos. Durante esta semana estão servindo "sangue de vampiro" na escola das crianças (quando eu era moleque a bebida chamava-se groselha - isto vale um capítulo à parte). A mãe de um coleguinha do Lucas telefona convidando-o para uma "festinha muito legal" com muitos monstros e terror. Declino, indignado.

Acho que Câmara Cascudo tremeu no túmulo neste dia 31. Tanto folclore de valor no Brasil, tanta tradição, tanta riqueza cultural. E a gente resolve comemorar, cada vez em maior escala, uma festa americana sem identificação com nossos valores e história!?!? Coisa estranha ver a criançada fantasiada de personangens que nunca fizeram parte de nosso imaginário...vindo bater à sua porta falando: trick or treat? Ah, tenham dó!!!

Se é para copiar os USA, que seja no que é bom. Por que não festejar o 7 de setembro com o mesmo patriotismo e entusiasmo do 4 de julho? Ou então, aproveitar o Thanksgiving para juntar a família, exercer gratidão, refletir?

Nem tudo está perdido. Feliz, constato que nenhum dos blogs que indico aqui ao lado fez menção ao famigerado "Halloween".

Quanto à mim, prefiro minhas abóboras descascadas, picadas e cozidas num tacho, com muito açúcar, cravo e canela.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Em Paris, de novo.

Pretensão! Paris coisa nenhuma. Estou mesmo é num hotel em Roissypôle, grudado no Charles de Gaulle (dá prá ver a pista da janela do quarto). Pelo menos é perto do Parc des Expositions, onde acontecerá o Salon International D'Alimentation. SIAL 2008, para os íntimos como eu, que já participei desta feira umas 7 vezes.

Depois de tanto tempo não existem muitas novidades. Sempre as mesmas pessoas, os mesmos stands, os mesmos papos. Muita coisa perde a graça. Fico mesmo é torcendo para a função acabar logo.

Mas uma coisa esta feira tem de legal: o setor de tendências e inovação. Muita informação técnica sobre o que está sendo consumido, o que vai "virar moda" nos próximos anos e a evolução dos diferentes padrões de consumo de alimentos em cada um dos cinco continentes. Hoje, depois de acompanhar a montagem de nosso stand, dei uma passada por lá. Tudo ainda vazio, sem os produtos. Se aparecer coisa interessante, prometo postar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Precoce?

Papo com o David hoje de manhã:

Eu: filho, bom dia. Que saudades. Ontem, quando papai chegou do trabalho você já estava dormindo...alguma novidade?
David: Pai, eu vou formar uma banda com meus amigos!
Eu: Uma banda ?!?!
David: É. Uma banda de rock. O Pedro vai ser o chefe, eu vou ser o líder (?!), a Sofia e a Maria Luisa vão ser do grupo.
Eu: Hummm...legal...e você vai tocar o quê?
David: Batera, é claro!
Eu: Ah...e os outros, vão tocar o quê?
David: Ah, não sei, isso a gente ainda vai decidir...

Fiquei me perguntando quão precoces estão as crianças de hoje. Fui criado ouvindo música de concerto (uns chamam de música clássica, outros de música erudita) desde o berço. Mesmo assim, aos 6 anos não me passava pela cabeça tocar algum instrumento. Muito menos formar uma banda. Fui pensar em música lá pelos 9, 10 anos. E resolvi formar uma banda somente aos 12: um violão de 12 cordas (eu), uma guitarra (o Léo “Curió”) e uma infinidade de pseudo-baixistas-tecladistas-bateristas que foram e voltaram. Queríamos tocar Emerson Lake & Palmer, Pink Floyd e Genesis. Gostávamos também de 14 bis, Roupa Nova, O Terço, Azymuth. Depois resolvi levar o violino a sério, entrei em orquestras e fui músico profissional dos 15 aos 22 anos. Com carteirinha da “Ordem dos Músicos” e tudo. Mas o importante mesmo é que eu tive uma "banda" quando era moleque. Por mais capenga que ela soasse, era uma banda. Precocidades à parte, quem nunca tocou um instrumento, teve uma banda ou pelo menos sonhou em ter uma, não viveu a vida por inteiro.