domingo, 15 de março de 2009

Da Saveurs...

Não sou muito fã de quiche, acho meio enjoativo, sem graça. Para mim é a versão piorada de uma boa e suculenta torta de frango. Comida de gente que não gosta de comida. Lembro-me de uma namorada que, por viver de dieta, adorava a dupla quiche+salada. É verdade que ela tinha um “corpão”... Jantar fora era muito econômico, porque ela nunca pedia sobremesa. Em compensação, nunca pudemos compartilhar uma garrafa de vinho, ou realmente aproveitar este ou aquele restaurante...óbvio que a relação não durou.

A receita abaixo foi adaptada da revista Saveurs deste mês, que comprei no aeroporto, na volta para o Brasil. Foi a foto caprichada e cheia de “apetite appeal” (marketeiro adora esta expressão!) da matéria sobre Boursin, que me convenceu a dar mais uma chance às quiches. Aliás, todas as fotos da Saveurs são sensacionais. Direção de arte competentíssima. Ironia: eu não dispunha de Boursin, utilizei coalhada seca. E deu certo.

Para beber, racioncinei o seguinte: ovo + leite + calor = vinho branco = Chardonnay bem amanteigado. A escolha foi um “Castillo de Molina Chardonnay Reserva – 2006”. Um chileno produzido pela Vinã San Pedro, que se deu bem com o prato e ajudou, definitivamente, a diminuir meu preconceito contra as tais tortinhas francesas.


Quiche de Espinafre “au Boursin”
Da revista Saveurs fev-mar 2009

Ingredientes:

- 250g de massa folhada congelada.
- 1 queijo Boursin (utilizei 2 colheres de sopa bem cheias de coalhada seca).
- 100ml de creme de leite (usei o da lata mesmo, sem soro).
- 150ml de leite integral.
- 1 ovo caipira inteiro + 2 gemas.
- 100g de folhas de espinafre limpas e lavadas.
- 20g de manteiga.
- Suco de meio limão.
- Sal e pimenta do reino a gosto.

Modo de Preparo:

- Refogar rapidamente as folhas de espinafre na manteiga, acrescentando o suco de limão, sal e pimenta do reino a gosto. Escorrer numa peneira e reservar.
- Abrir a massa folhada, que já deve estar descongelada, segundo as instruções da embalagem. Acomodá-la numa forma para tortas de cerca de 20-25cm de diâmetro. Com um garfo, fazer vários furos na “base” da massa (não cheguei a gastar os 250g de massa com a forma que utilizei).
- Numa tigela, amassar o Boursin com um garfo. Acrescentar o leite, o creme de leite e os ovos, misturando bem. Acertar o sal e a pimenta. Juntar o espinafre a esta mistura e colocá-la na forma.
- Assar em forno pré aquecido a 200°c por cerca de 30 minutos.


- Castillo de Molina Chardonnay Reserva 2006, branco.
- Viña San Pedro S.A., Valle de Casablanca, Chile.
- Amarelo intenso, aroma potente – madeira, baunilha, doce de côco e abacaxi. Paçadar mais para o adocicado, encorpado e untuoso. Muito equilibrado e com boa permanência. R$ 40,00. Importado por Worldwine.

domingo, 1 de março de 2009

"Paladar" desta semana

Só hoje tive tempo de ler o "Caderno Paladar" do Estadão, pubicado na útima 5a. feira. A edição desta semana está com receitas muito legais, que serão testadas e postadas em breve. Tão logo eu volte de mais uma viagem.

Até já!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Risotto de Aspargos e Tomates Cereja

Um risotto bem simples para um dia difícil...

Demitir é ruim. Quando você gosta do colega, trabalha com ele há anos e está satisfeito com seu trabaho, demitir passa a ser péssimo. É impossível não se sentir um vilão. A consciência pesa, o coração fica apertado. Vem a frustração de não ter podido fazer nada para reverter a situação. A gente chega a perder o sono. E não me venham com a conversa de que o bom executivo tem que encarar friamente o processo de desligamento de um funcionário, que é inerente à função de um líder, blá, blá, blá. Isto é pura cascata corporativa. Coisa de auto ajuda "profissional" barata. Filosofia de banca de jornal, tipo "Você S.A.". Quem demite e não se lamenta, por pior que seja o trabaho do demitido em questão, não é líder e muito menos ser humano.

Só mesmo cozinhando para tornar o fim do dia um pouco mais ameno. Dei uma olhada na geladeira e usei os ingredientes disponíveis. Piquei cinco ou seis aspargos em pedaços de mais ou menos 3 dedos. Branqueei-os em água fervente por um minuto e meio. Escorri e reservei. Refoguei 1 colher de cebola bem picadinha numa colher de sopa de manteiga. Juntei o arroz arborio, mexi um pouco e logo depois joguei vinho branco. Aproximadamente 1 cálice. Quando evaporou, abaixei o fogo e fui regando aos poucos com caldo de galinha, mexendo até que o arroz estivesse "al dente". Então agreguei os aspargos e cozinhei por mais um minuto. Apaguei o fogo, juntei uns doze tomates cereja cortados ao meio, mais um pouco de manteiga e queijo parmesão ralado na hora, mexendo bem. Comi com bastante pimenta do reino e uma taça de Sedna Malbec Rosé 2007, para levantar o humor combalido. Se o vinho combinou com a comida? Não sei...na noite de quinta feira eu não estava com cabeça para estes detahes.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

No fundo da gaveta

Sexta feira chuvosa. Despensa meio vazia e preguiça de ir ao supermercado. No fundo da gaveta do refrigerador, um enorme pimentão vermelho, esquecido há muitos dias. Na prateleira de cima, um galetinho assado se escondeu, disfarçado em papel alumínio. Não pense que minha geladeira é uma bagunça. Ela apenas tem o poder de dar vida a alguns alimentos que, para não serem consumidos, movimentam-se pelos lugares mais inóspitos e ficam lá por um bom tempo!

Despi o galeto de sua fantasia prateada e cortei-o em vários pedaços irregulares. Foi para a panela com água, cenoura, cebola, alho e vários temperos. Cozinhou em fogo bem baixo por uma hora, redendo um bom caldo.

Capturei o pimentão, lavei bem, tirei as sementes e cortei em tiras. Temperei com sal, azeite e sementes de erva-doce. No mesmo tabuleiro coloquei um tomate grande cortado em quartos e três dentes de alho. Assei tudo por cerca de 45 minutos.

Bati tudo no liquidificador com uma batata cozida. Deu sopa! E a receita está aí em baixo.



Sopa de Pimentão Vermelho e Erva Doce

Ingredientes:

- 1 pimentão vermelho grande, sem sementes e miolo, cortado em tiras de aproximadamente 1 dedo.
- 1 tomate grande, bem maduro, cortado em quartos.
- 3 dentes de alho descascados.
- 1 colher de chá de sementes de erva doce.
- 1 batata grande, cortada em cubos.
- 1,5 litros de caldo de galinha.
- 1 pitada de pimenta cayenne ou pimenta calabresa.
- 1 colher de sopa de vinagre balsâmico.
- Sal a gosto.
- Azeite o quanto baste.

Modo de Preparo

1. Coloque o pimentão, o tomate e o alho num tabuleiro ou refratário. Regue com um fio de azeite e sapique com a erva doce e uma pitada de sal. Leve ao forno pré-aquecido à temperatura de 200°C por cerca de 45 minutos, ou até que os legumes estejam assados.
2. Enquanto os legumes assam, leve uma panela ao fogo, coloque a batata em cubos, cubra com água e cozinhe até que os cubos estejam macios. Escorra e reserve.
3. Bata no liquidificador os legumes assados, a batata cozida e o caldo de galinha.
4. Numa panela, leve ao fogo a mistura batida no liquidificador. Quando ferver, abaixe o fogo e acrescente o vinagre balsâmico e a pimenta cayenne. Acerte o sal. Sirva, acrescentando um fio de azeite, se desejar.


Importante: aproveitei também umas fatias de jamón serrano disponíveis, cortando-as em tirinhas e jogando por cima da sopa, já no prato.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Alfarrábios III - Fim da Procura!


40 anos hoje. Pensei em escrever sobre minha “mid-life crisis”. Pensei em fazer um balanço da vida até aqui. Concluí que não caberia neste espaço; ficaria muito chato, desinteressante. Cheguei a decidir não escrever nada a respeito. Afinal, sou daqueles que nunca ligou para aniversário. Na verdade, às vezes eu até esqueço do dia 10 de fevereiro. Tive uma colega que gostava tanto, mas tanto de seu aniversário que começava a planejar a festa com dois meses de antecedência. Eu não sou assim. Eu não dou a mínima. Tem gente que me acha estranho por causa disso (minha mãe diz que eu tenho que tratar isto na terapia... quem me conhece sabe que postar sobre meu aniversário já significa um grande avanço).

Mas hoje aconteceu algo que preciso registrar aqui. Há uns vinte anos que procuro dois livros que marcaram minha infância. Basta ver um sebo que não resisto entrar e perguntar por eles. Já passei horas no Google, visitei comunidades no Orkut, falei com ex-professoras... De tempos em tempos, de forma recorrente, vem a vontade de ver e ler estes dois livros de novo. E aí retomo a procura, sempre sem sucesso.

E hoje, acho que por causa desta data simbólica, resolvi procurar de novo. Sem muitas expectativas, fui outra vez ao google, digitei "sebos on-line" e encontrei este site. Para minha surpresa e como presente de aniversário, lá estavam os dois livros: “Pingo” e “Aprenda Física Brincando”. Viva, viva!!!

“Pingo”, de Maria Clara Machado, conta a história de um cavalinho que aprende a saltar. Foi o primeiro livro que li e por isto é tão importante para mim. Ainda me lembro da sensação de “ler um livro inteirinho” e como isto foi gratificante. Acho que vem daí a minha paixão por cavalos, principalmente os de salto e adestramento clássico.

O Segundo livro, “Aprenda Física Brincando” de J. Perelmann, é um tijolo de mais de quinhentas páginas que devorei aos 9 anos de idade. Perelmann destrincha de forma didática e divertida todos os complicômetros da Física. E ainda por cima propõe experiências fáceis que parecem mais brincadeira do que ciência. Faz perguntas como “Por que objetos pontiagudos picam?”, “Por que o gelo é escorregadio” e “Pode-se ferver a água na neve?” Ou seja, usa a curiosidade como alavanca para a compreensão dos fenômenos físicos.

“Aprenda Física Brincando” já está aqui comigo, como vocês podem ver na foto acima. Será devorado novamente. “Pingo” chega amanhã de Curitiba, por SEDEX. Este foi o presente que eu me dei, no dia dos 40: voltar no tempo uns 30 anos e por alguns segundos me sentir moleque de novo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Aprendiz XII - Holandesa interessante

Terça feira à noite tive a minha primeira vez com uma holandesa.

Calma, calma. Por favor não tire conclusões precipitadas. Estou falando de uma vinícola! O cardápio da KLM trazia uma seleção de vinhos de Zeeland, uma região que fica no sudoeste da Holanda e tem grande parte de suas terras abaixo do nível do mar.

Tomei um Schouwen-Druiveland Auxerrois 2007 (branco), produzido por "De Kleine Schorre", produtor ainda jovem, que iniciou suas atividades em 2001. Me pareceu interessante. No mínimo porque eu não fazia idéia de que se produziam vinhos na Holanda. Aromas de abacaxi (parece que virou moda...), depois um cheiro de açúcar, algo como algodão doce. Na boca, ácido, levemente adocicado e frisante, porém não muito longo.

Até que para uma primeira vez, a impressão não foi ruim. Nada mal para um país que sabe mesmo é fazer cerveja.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Té já!

Bate e volta para a Holanda. Volto no sábado.