sábado, 29 de março de 2008

Vou mas volto!


Mais uma viagem começando...os posts vão escassear até o dia 7 de abril. A menos, é claro, que eu encontre um tempinho para postar lá do outro lado do mundo.

Até a volta!

sexta-feira, 28 de março de 2008

Aprendiz VI - Torrontés



Que eu me lembre, foi a primeira vez que provei um vinho feito com esta uva. Segundo o que pesquisei, é a variedade símbolo da Argentina, por ser autóctone - ou criolla, como alguns preferem. Apesar da combinação com a comida não ter sido feliz, gostei muito deste San Pedro de Yacochuya 2007, da região de Salta. Trata-se de um vinho muito interessante, com aromas de pera, maçã e um pouco de maracujá. Na boca tem corpo médio, sabor muito floral, diferente, que me chamou a atenção (uma mistura de jasmim com resina ou almíscar - se é que isto é possível!). Mais para seco do que para doce, como prefiro. Pouca acidez e boa permanência. Acho que teria sido melhor aproveitado se servido com uma receita de tempero mais marcante.

De qualquer forma, foi uma ótima descoberta e vou repetir a dose, procurando provar e comparar Torrontés de outros produtores!
- San Pedro de Yacochuya Torrontés 2007 - Branco
- Yacochuya S.A. - Cafayate - Salta - Argentina

quarta-feira, 26 de março de 2008

Purée de Cenouras


Ótimo acompanhamento para nosso jantar de hoje: filés de St. Peter temperados apenas com sal mais um pouquinho de limão e assados por 20 minutos sobre uma camada alho poró fatiado regada com azeite + vinho branco.

Abrimos um surpreendente Torrontés argentino que, apesar de ótimo, mostrou-se muito complexo e potente na harmonização. Comentarei amanhã.

Dependendo da inspiração do dia, este purezinho mostra-se bem versátil. Pode, por exemplo, servir de molho para um singelo cabelinho de anjo ou então fazer as vezes de uma refrescante entrada: gelado e salpicado com pinolis tostados na manteiga...

Purée de Cenoura à Minha Moda

Ingredientes:

- 5 cenouras descascadas.
- 1 batata grande descascada.
- 1 cebola pequena descascada.
- 200ml de suco de laranja.
- 1 colher de sobremesa de raspas de laranja.
- 1 colher de sopa de mostarda de Dijon.
- 3 colheres de sopa de creme de leite.
- 1 pitada de açúcar.
- Sal a gosto.

Modo de Preparo:

1 – Cubra os legumes com água e cozinhe-os até que estejam macios.
2 – Escorra os legumes e bata-os no liquidificador com o suco de laranja.
3 – Volte este purée à panela e acrescente o açúcar, as raspas de laranja, a mostarda de Dijon e o creme de leite.
4 – Acenda o fogo e aqueça bem, sem deixar ferver.
5 – Acerte o Sal e sirva conforme sua criatividade.

terça-feira, 25 de março de 2008

Alfarrábios II - Presentão...


...recém chegado de Buenos Aires pelas mãos do meu amigo e irmão Francisco.

O "Anuario Brascó/Portelli 2007-2008" é tudo aquilo que promete: um guia sobre os principais vinhos argentinos (foram 1.300 provas!), com detalhes sobre os produtores, preços, pontuação e comentários dos dois autores. Equanto Miguel Brascó - escritor e jornalista - dá opiniões mais descontraídas e pitorescas, o sommelier Fabricio Portelli analisa cada garrafa de forma mais técnica. Desta forma, quem lê conta com duas visões e versões sobre um mesmo tema. Muito interessante.

Muchíssimas gracias, Francisco!

"Anuário Brascó/Portelli de los Vinos Argentinos 2007 - 2008"
Miguel Brascó e Fabrcio Guillermo Portelli
416 páginas
Editado por Simposium, ArgenitnaISBN 978-978-23885-4-6

segunda-feira, 24 de março de 2008

Carne de Charque

Vegetarianos, tirem as crianças do computador! AmuseBouche adverte: O texto e as cenas a seguir são impróprios para os que não comem carne (prometo duas boas receitas vegetarianas ainda esta semana).

Conforme eu já havia prometido, vamos falar de Charque e como prepará-lo.

Comecemos com um pouco de história: no século XIX, o produto chegou a ser importantíssimo para a economia do Rio Grande do Sul. Naquela região, grande parte do gado era abatida para o aproveitamento do couro, enviado para todo o Brasil. Salgar a carne era a melhor maneira de conservar e aproveitar o “resto” do animal. O consumo crescente fez a produção gaúcha ganhar força. O charque produzido no Rio Grande passou a fazer parte da dieta dos brasileiros da época, principalmente dos escravos.

Charque (do quéchua xar’qui), Carne-Seca, Jabá (do tupi yaba – esconder-se), Carne- de-Sol...qual a diferença entre eles? Pesquisando a internet não encontrei nenhuma fonte que me convencesse (aceito sugestões). Deixo a explicação do meu sogro, gaúcho de Quarai, que aprendeu a prepará-lo com sua avó: Charque é feito com mais sal e tem de ser seco à sombra, por mais tempo que a Carne-de-Sol nordestina.

O processo é simples, quase primitivo. Pode-se optar por qualquer corte bovino, desde que seja “em manta”. Utilizo um bife de coxão-mole de aproximadamente 1kg, com 3 dedos de espessura.. A peça deve ir para uma bacia, com muito sal grosso por baixo e por cima (figuras 1 e 2). Ficará lá, coberta por um pano limpo, durante 72 horas (figura 3). A cada 24 horas a bacia deve ser inclinada na pia para drenar o líquido que se desprender. Após este período a carne deve ser espetada com um ganchinho – peça ao seu açougueiro para lhe dar um – e pendurada à sombra, num local arejado (figura 4), por 60 horas (figura 5). Feito isto, é tirar todo o excesso de sal grosso, embrulhar em filme plástico e guardar (figura 6).



Você deve ter notado que o aspecto do charque caseiro é bem diferente do industrializado, geralmente vendido nos supermercados em embalagens a vácuo. Isto se deve à presença dos sais de cura (nitrito e nitrato) no processo produtivo. Eles reagem com a mioglobina e conferem à carne aquela cor vermelha meio artificial. A diferença de sabor também é perceptível: o Charque caseiro é muito mais saboroso e não tem a “murrinha” do produto processado.

Portanto, para quem é fã de um Arroz Carreteiro ou de uma Roupa Velha, vale a pena gastar um tempinho, escolher carne de excelente procedência e fazer charque em casa. Aguardem para breve algumas receitas...

sábado, 22 de março de 2008

Janelinhas e Piano

Como é que pode a vida passar assim tão rápido ?!?!



E o Lucas, quando viu o irmão mostrando o sorriso banguela, também quis tirar uma foto do Piano!



sexta-feira, 21 de março de 2008

Brandade de Bacalhau

Esta foi preparada no ano passado e, por falta de tempo, acabei não postando. É a minha adaptação da receita tradicional, utilizando mandioquinha (batata baroa) ao invés de batata, com um toque de leite de coco.

As quantidades abaixo consideram que muita gente virá para a mesa. Afinal, tanto judeus quanto cristãos comemoram a Páscoa congregando a família.

Você pode preparar com antecedência e servir com uma salada verde ou talvez arroz branco refogado com pedacinhos de couve rasgada. Garanto que fica uma delícia.

Sirvo bacalhau nesta data apenas por tradição. Não acredito que deixar de comer carne na 6ª feira-santa vai me tornar melhor ou pior. Para mim, Páscoa significa mais: fala da redenção através da entrega, morte e ressurreição, que foi o verdadeiro propósito de vida de Cristo. Fala do sacrifício em prol do próximo. É um cumprir de metas e profecias milenares. E, como no Pessach judaico, me lembra de que a vida tem grandes momentos de mudança e transformação. Sempre para melhor.

Boa Páscoa a todos!

Brandade de Bacalhau ao meu modo

Ingredientes:

- 1,5kg de bacalhau.
- 2,5kg de mandioquinha.
- 1 vidro (200ml) de leite de coco.
- 2 colheres de sopa de salsinha fresca bem picada.
- ½ xícara de azeite de oliva extra virgem.
- 5 dentes de alho finamente picados.
- Sal o quanto baste.
- leite, o quanto baste.

Modo de preparo:

1. Dessalgue o bacalhau: de um dia para o outro, troque a água aproximadamente 5 vezes.
2. Cozinhe o bacalhau por 20 minutos em 1 litro de água + 1 copo de leite.
3. Escorra o bacalhau e, após esfriar, desmanche-o em lascas grandes (não desfie, desmanche) retirando as espinhas. Reserve.
4. Cozinhe a mandioquinha com casca, em água abundante, até que fique macia.
5. Descasque a mandioquinha e, enquanto estiver morna, amasse-a ou passe por um processador.
6. Coloque o azeite e o óleo picado em uma panela pequena. Leve ao fogo brando para “cozinhar” o alho levemente. Cuidado para não torrar o alho, nem dourá-lo. O que se quer, na verdade, é aromatizar o azeite com o alho. Reserve.
7. Em uma tigela grande, misture a mandioquinha amassada com o leite de coco. Acrescente o azeite e o alho e misture bem. Acrescente a salsinha picada e misture bem. Se este purée estiver muito firme, acrescente um pouco de leite. O que queremos é um purée aveludado. Acerte o sal, com cautela. O bacalhau já é um ingrediente salgado.
8. Monte o prato: cubra o fundo de um refratário com metade do purée. Acomode as lascas de bacalhau. Cubra as lascas de bacalhau com o restante do purée.
9. Leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 20 minutos, até que esteja levemente dourado.