sábado, 5 de julho de 2008

Aprendiz VIII - Ovo Pochê e Chardonnay

Tenho uma teoria: geralmente, na cozinha, simples é diferente de fácil. As coisas mais triviais são as mais difíceis de se fazer. É como na música clássica. Andamentos lentos do barroco e classicismo são muito mais complicados de tocar do que os prestos do romantismo.

E a lista dos “simples-difíceis” é grande. Arroz solto, no ponto certo, e feijão com aquele gosto especial. Doce de abóbora igual ao da minha mãe. Um mero bife acebolado que não fique “sola”. Ovo pochê. Incrível! Nunca consegui fazer um ovo pochê decente. Já estava conformado com isto quando vi no Panelinha uma série de técnicas para prepará-lo. Tentei o método de Gordon Ramsey: girar a água fervente na panela com uma colher e colocar o ovo cru no centro do “redemoinho” formado pelo movimento. Pelo menos é uma técnica inteligente, pensei. Testei na primeira oportunidade. O resultado foram três ovos jogados no lixo e eu me perguntando qual seria a fórmula secreta.

A resposta veio neste post do La Cuccinetta. Já aproveitei muitas dicas e receitas ótimas no blog de Ana Elisa. Esta conta também com ilustrações muito charmosas do “processo produtivo”. Na primeira tentativa tive um problema: pus água demais na panela...mais um ovo caipira jogado fora! Da segunda vez, peguei uma panela menor e coloquei apenas 4 dedos de água. Outro cuidado que tomei foi quebrar o ovo o mais próximo possível da água. O resultado está na foto aí abaixo...

Trata-se da minha versão de Croque. Refoguei 1 talo de alho poro picado bem fino numa colher de sopa de manteiga. Quando começou a murchar, coloquei mais ou menos 4 colheres de sopa de vinho branco seco e 1 pitada de sal. Tampei a panela e abaixei o fogo deixando cozinhar devagarinho, até o vinho secar. Coloquei uma boa colherada do alho poró cozido na maior fatia de pão italiano que encontrei. Cobri com um punhado de queijo gruyére ralado e levei ao forninho elétrico para gratinar. Enquanto isto, fiz o ovo pochê na panela que já estava com a água fervente. Dourado o queijo, retirei a fatia do forninho e coloquei o ovo pochê por cima, servindo imediatamente com uma pitada de sal e pimenta do reino moída na hora.

Aprendi no “Vinho e Comida” de Joana Simon (Companhia das Letras) que ovo vai bem com Chardonnay. Testei com um “Andeluna Chardonnay 2006” e o resultado foi muito feliz. Mistério do ovo pochê revelado, só tenho a agradecer ao “La Cuccinetta” pelas dicas e ao Marcel por mais uma indicação correta de vinho.

- Andeluna Chardonnay 2006, branco.
- Andeluna cellars, Tupungato, Mendoza, Argentina.
Amarelo esverdeado, Aromas de abacaxi, baunilha, maçã. Bom corpo, “cremoso” na boca, o que combinou com a cremosidade do ovo. Mel, terra molhada e ervas. Boa permanência. Um vinho pra lá de legal. Importado por Grand Cru.

4 comentários:

Ana Elisa disse...

Iêeeeeei! Que bom!!! Fico felicíssima que tenha dado certo prá vc também! Depois que minha tia me ensinou, tenho feito ovo poché no café da manhã umas duas vezes por semana, e SEMPRE dá certo. Também tinha tentado com outras duzentas técnicas, e meu maior problema é que todo mundo ensinava a fazer em panela funda, o que fazia o ovo desmanchar todo. Ótima receita a sua, hein?
Beijos!

Rogério disse...

Ana, o legal foi que as crianças também "descobriram" o ovo pochê. Então virou um baita coringa para nós. Sabe aqueles dias em que não há nada pronto para o jantar deles na geladeira (geralmente domingo à noite..) e você se recusa a dar miojo? Dá-lhe ovinho pochê com uma salada de cenoura ralada e tomate...eles adoram!

Olha, a receita realmente surpreendeu. Ficou gostoso mesmo e relativemente rápido de se fazer. Vale a pena tentar.

Beijos
Rogério

Marcel disse...

Que bom que ficou bom - quanta poeticidade.

A Bete me falou sobre ontem, pena que não nos encontramos. Fica pra um próximo "evento".....;-)

Abraço,
Marcel

Rogério disse...

Marcel, sinceramente? Não acreditei muito que você estava com falta de ar...mas para fugir de aniversário de criança vale qualquer desculpa!
Abração