segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Torta de Batatas


Definitivamente, cansei do Jamie Oliver. Antigamente, quando ele era um moleque de cabelão solto, meio porquinho, desencanado e com idéias originais na cozinha, eu era fã. Tanto que tenho uns 4 livros dele (Rock’n Roll Cuisine, O Chef sem Mistérios, O Retorno do Chef Sem Mistérios e A Itália de Jamie).

Mas agora Jamie envelheceu...e continua querendo parecer moleque. Está meio gordão e ridículo com as mechas louras no cabelo, que ele teima em usar espetado. Está mais porcalhão na cozinha (será que é mal de cozinheiro inglês? Hein, Nigella?) Fica querendo dar uma de Italiano; ditar regra sobre cozinha italiana. Como se fosse possível conhecer a culinária da “bota” com uma dúzia de viagens à Toscana....Resolveu defender umas causas politicamente corretas – mais pela fama e repercussão que elas causam do que pela ideologia em si. De modo que, para mim, Jamie Oliver já deu o que tinha que dar.

Acontece que, apesar de tudo, às vezes ele vem com boas idéias. Sábado passado, no GNT, ele falou sobre aspargos. E deu a receita de uma torta de aspargos que resolvi adaptar. (1x0 para você, Jamie. Admito). Não fiz a torta exatamente como ele recomendava. Até porque, aspargos para mim são tão nobres, que não vale a pena desperdiçá-los numa torta. Mas, em linhas gerais, a torta à base de 1 legume + batata me pareceu boa idéia.

Fiz uma série de adaptações, começando por não usar massa folhada. Assei a “massa de batatas” diretamente no refratário. Substituí o cheddar por queijo meia cura. Utilizei abobrinha italiana ao invés dos aspargos. E polvilhei bastante queijo para gratinar. Eis a, agora minha, receita:

“Torta” de Batatas e Abobrinhas

Ingredientes:

- 1 abobrinha fatiada em rodelas de aproximadamente 3mm
- 800g de batatas cozidas e amassadas grosseiramente (=mais ou menos 3 batatas grandes cruas).
- 200g de creme de leite.
- 3 ovos caipiras.
- 1 colher de sopa de manteiga e mais o suficiente para untar.
- 150 gramas de queijo meia cura ralado grosseiramente (use o ralador grosso).
- 1 pitada de noz moscada.
- 1 colher de chá de sal ou mais, dependendo do seu gosto.

Modo de Preparo:

1. Fatie a abobrinha e reserve.
2. Descasque e cozinhe as batatas até que fiquem macias. Escorra a água e, com um garfo grande, amasse-as grosseiramente. Espere esfriar um pouco. Misture o creme de leite, a noz moscada, o sal, os ovos batidos, a manteiga derretida e 100g do queijo meia cura ralado.
3. Coloque esta massa em um refratário quadrado, untado com manteiga.
4. “Enfie” as fatias de abobrinha na massa, na vertical, fileira a fileira. Quando terminar, incline as fatias levemente, de modo a imitar escamas de peixe (veja a foto).
5. Salpique o restante do queijo ralado (50g).
6. Leve ao forno pré-aquecido a 220°C por 45 minutos, ou até que a torta esteja dourada.

Dica1 – Sirva com salada de tomates-cereja e cebola crua, temperada simplesmente com acceto balsâmico, azeite de oliva e sal.
Dica2 –Como ando com mania de Pinot Noir, servi com um “Doña Paula” Pinot Noir 2004, da Vinã Doña Paula em Mendoza, Argentina (importado pela “Grand Cru”) . Bom custo benefício. Bastante frutado, levemente ácido. Notas florais e de baunilha. Na boca, cereja bem madura. No fundo, achei-o um pouco demais para este prato, mas fica aqui a recomendação de um vinho bem honesto.

9 comentários:

Luiz Horta disse...

Concordo, ah como concordo! Jamie Olliver é um vinho vagaba, envelheceu mal e ficou insuportável. Porque será que ninguém diz isto?

Ana Elisa disse...

hehehe...
Concordo que o Jamie Oliver tenha se revelado mais charlatão do que todos esperavam, e que ele anda reciclando muita receita em livro. Mas acho que todo chef acredita que tem a melhor receita disso e daquilo. E depois que vi Gordon Ramsay (com estrela michelin e tudo) colocar óleo na água para fazer spaghetti, parei de achar que qualquer um deles seja dono de uma verdade universal sobre comida. No entanto, há um único e derradeiro motivo de eu ainda ter um resquício de admiração pelo Oliver, e são justamente os trabalhos "extra-curriculares" dele. É difícil dizer que ele faz pela fama, já que ele só consegue fazer POR CAUSA da fama. Um zé migué como eu não conseguiria criar as campanhas que ele cria, e se criasse, elas cairiam no esquecimento público. Então vamos dar o braço a torcer que, criativo hoje em dia, só o Adriá (e numa escala menor, o Atala), e eu não sei se gosto do tipo de comida que ele faz. Jamie faz comida honesta para todo dia: ele deixa isso muito claro. Falta criatividade, mas pelo menos as receitas dão certo... hehehe... Ao contrário de um senhor Hermé que eu conheço... hahahahahaha!
;)

Beijão!

Rogério disse...

Pois é, Luiz...perfeita a analogia! Esta vou anotar!
Abraço
Rogério

Rogério disse...

É Ana, que as receitas dão certo, não há como negar. Mas ele anda mais marketeiro do que cozinheiro nos últimos anos. E$perto. Muito e$perto...Quanto às campanhas, em parte ele tem razão. Porém existem muitas meias-verdades no que ele diz. Muita falta de embasamento técnico. A história às vezes é contada pela metade. Sinto também que se tenta atacar o sintoma e não a causa. É que, quando a discussão se aprofunda e se torna realmente científica, curiosamente isto some da mídia.
Beijo grande,
Rogério

Ana Elisa disse...

Concordo com você mais uma vez. Mas acho que, charlatanice e exageros apocalípticos à parte, prefiro que um cara como ele esteja saturando a mídia, pregando um estilo de vida mais natureba, tentando convencer as pessoas a plantar mais e cozinhar com um pouquinho mais de consciência a respeito da origem dos seus ingredientes, do que outros por aí que só se preocupam com o resultado final do prato e continuam incentivando o uso de ingredientes pouco éticos ou pouco saudáveis. Sei lá, acho que todo chef celebridade tem seus pecados.

Beijos!

Gourmandise disse...

Esse garoto faz tanto sucesso, mas é meio "pentelho", desorganizado e suja tudo!
abs,
Nina.

Pamela disse...

oi Rogério. Acabei de ver na tv a receita original no programa do J Oliver e encontrei seu blog. Amei sua receita e definitivamente vou cozinhá-la antes de usar os aspargos. Você tem o link para a receita original? Não consegui encontrar.
abraço!

Rogério disse...

Oi Pamela,

Infelizmente eu não tenho o link da receita nem anotei em detalhes a receita dele. Anotei apenas os ingredientes e o processo de preparo. Depois, fiz tudo meio "de olho".
Abração e volte sempre!
Rogério

Lívia Mascarenhas disse...

Olá,

eu também vi a torta de aspargos e ela me interessou bastante. Mas eu resolvi adaptar também, vou fazer amanhã a noite. Mas ao invés de aspargos vou usar cogumelos (shimeji, shitake etc).
ainda vou aproveitar e tirar essa massa folhada e fazer tudo no refratário, estava achando muito engordurada!